
O SARES parte da experiência e da ação dos grupos e movimentos sociais que acompanha e, contando com os instrumentos teóricos das ciências humanas e à luz do pensamento social da Igreja, oferece sua contribuição para o esclarecimento dos problemas da Amazônia. Utiliza uma abordagem transdisciplinar dos problemas das sociedades amazônicas, pensando a região a partir das necessidades e das realidades locais. Propõe uma formação integral, superando as metodologias que se reduzem ao “informativo”, incluindo as dimensões da pessoa unidas ao sentido da ação coletiva. Ação e reflexão juntas. Valoriza o processo de avaliação constante, não somente no fim das atividades, mas permanentemente durante seu curso. Em particular, tendo em vista a formação política, dá importância ao desenvolvimento de relações democráticas, ou de igualdade, entre as pessoas, tendo em vista a transformação das mesmas em cidadãs conscientes de seus direitos e capazes de se organizar politicamente para a defesa dos mesmos.
Contato e solidariedade com os pobres. A obra entra em contato com os representantes das reivindicações populares, com os que trabalham com os pobres, com as lideranças dos movimentos e com aqueles que querem ajudar. Em particular, visitamos famílias de “sem teto” que ocupam terrenos, os ribeirinhos e posseiros do interior, as crianças das escolinhas de reforço e seus pais etc. Achamos que nosso objetivo é a solidariedade com os pobres, pois procuramos planejar, organizar, nos posicionar em favor da luta dos pobres.
Valorização da sabedoria popular. Talvez seja a característica principal do SARES, o esforço para reconhecer não somente a situação de marginalização das camadas populares, mas sobretudo sua inteligência, resistência, suas iniciativas de solidariedade, habitualmente escondidas e pouco consideradas. Constatamos uma cisão terrível entre “cultivados” e “incultos”: estes últimos acreditam nos valores quando os primeiros já não acreditam mais. Esquece-se demasiadas vezes que subsiste um mundo popular, com sua própria cultura. Nossas sociedades funcionam porque nas profundezas da vida coletiva muitas pessoas continuam tentando fazer o bem. Queremos estar presentes nesta problemática.
Florestania. É um conceito elaborado pelos povos da floresta organizados em movimento com a ajuda de Chico Mendes. Significa, em primeiro lugar, priorizar a realidade amazônica nas análises e nas ações. Em segundo lugar, valorizar uma vida humana que se desenvolve plenamente recuperando as vantagens de uma relação sadia com a floresta. Esse conceito deve contribuir para relativizar ou interpretar melhor o conceito de cidadania. Nessa perspectiva temos que avançar muito mais.
Todas essas mediações exigem um esforço de escuta e de itinerância. Escuta para ouvir a voz dos irmãos e, de consequência, a voz de Deus. Itinerância porque estamos sempre à procura de caminhos novos, de idéias, paradigmas, parceiros, alianças...