
No dia 08 de julho, uma equipe do SARES esteve no município de Rio Preto da Eva para dar início à preparação de voluntários que atuarão como monitores do Projeto Educação e Cidadania, no km 105 da AM 010, na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, no ramal do mesmo nome.
Com esta preparação o SARES começa o primeiro núcleo do Projeto Educação e Cidadania na zonal rural do estado do Amazonas. Apesar de o Projeto já possuir núcleos no interior do estado este será o primeiro, propriamente dito, na zona rural, pois os outros estão localizados em zonas urbanas.
O encontro de preparação dos voluntários aconteceu na escola municipal da comunidade Nossa Senhora Aparecida. Pelo SARES estavam presentes o professor Paulo Filizola, a coordenadora do Projeto, Deuzarina de Souza, a coordenadora do núcleo na cidade de Rio Preto da Eva, Eugênia, e o padre Anselmo Dias. A gestora da escola municipal Nossa Senhora Aparecida, a professora Nilma, foi a quem convidou os voluntários, Rosineide, Randerson, Rosana e Santina e acolheu a equipe do SARES.
O professor Paulo Felizola iniciou o encontro falando o que é o SARES e, em linhas gerais, os objetivos do Projeto Educação e Cidadania. Disse que há algum tempo vinha pensando em iniciar um núcleo do Projeto para beneficiar as crianças da na zona rural que sofrem com as deficiências do ensino quanto à sua qualidade. Também afirmou que tudo partiu da percepção que teve durante estes anos celebrando com as comunidades rurais, e que “onde nós do SARES andamos procuramos ouvir as pessoas”.
Em seguida Deuzarina e Eugênia continuaram a reunião apresentando as atividades do Projeto, como é organizado, o papel do coordenador e dos monitores, quais as exigências para colaborar e como trabalhar com os pais e as crianças.
A comunidade
A comunidade Nossa Senhora Aparecida tem mais de 20 anos de existência, fundada por algumas famílias que vieram de Manaus e outros lugares, como o casal dona Martinha e o senhor Leomário, Anastácia e Zé Carlos e outros, que de início construíram uma igrejinha dedicada a Nossa Senhora Aparecida. Depois veio a escola, o posto de saúde, com isso foi-se formando um núcleo da vila, que hoje conta com umas 44 famílias. Atualmente a comunidade é presidida pelo senhor Raimundo Barbosa.
Realidade escolar
A professora Nilma, viúva, mãe de quatro filhos, mora a 23 anos na comunidade, era de outra comunidade e logo que casou mudou-se para lá. Começou como professora, há quatro anos é a gestora da escola municipal Nossa Senhora Aparecida, que possui 95 alunos, nos turnos vespertino e noturno. A escola oferece formação do pré-escolar até o 9º ano do ensino fundamental. Existe também, na escola, uma turma do 3º ano do Ensino Médio, chamado tecnológico, em que os alunos acompanham as aulas através de um receptor de televisão, que recebe o sinal via satélite.
Segundo a professora Nilma, 95% dos alunos são aprovados, porém existem crianças que estão no terceiro ano e não sabem ler e escrever. Uma das causas é o grande número de alunos por professor, cerca de 30 alunos. O professor é obrigado a acompanhar duas ou mais séries em uma só sala (modelo multiserial). A qualidade é baixa, porque o professor não consegue dar a atenção devida a cada aluno.