População discute acesso a políticas públicas no SARES

Mais de 150 pessoas oriundas de 15 comunidades em situação de vulnerabilidade discutem o acesso a políticas públicas e benefícios no I Seminário do Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social (SARES) – Instituição Intercongregacional que tem como sócios fundadores a Companhia de Jesus, o Instituto Missões Consolata  e a Arquidiocese de Manaus. Segundo o coordenador do Departamento de Ação, Pe. Denis Bernard, o evento tem o objetivo de aprofundar a reflexão sobre a realidade sociopolítica e econômica do povo amazonense. “Nossa proposta é alcançar um olhar para essa realidade a partir de uma reflexão produtiva junto as comunidades, com foco na sabedoria popular”, afirmou ele informando que o Departamento de Ação acompanha as comunidades nas realidades que o povo vive e orienta-as ao papel de protagonistas da história das mudanças sociais, nos limites da luta pelas suas necessidades básicas.

Segundo ele, uma das preocupações centrais do programa de ação do departamento é a dignidade e a melhoria de vida objetiva da população amazonense e, em particular, a que vive em ocupações e nas áreas de risco. “Essas pessoas desconhecem seus deveres e direitos frente às políticas públicas do país”, declara Pe. Denis Bernard, informando que o programa nasce aí, da necessidade do povo, que se deu em conta de que não sabe o que são as políticas públicas, nem quais são elas, muito menos onde estão ou por que meios ter acesso aos seus benefícios.

A próxima ação do programa, informa, será exatamente a realização do II Seminário no final do ano onde, entre as temáticas que serão abordadas, será avaliado o encaminhamento das ações deliberadas no I Seminário. Estes dois encontros são os únicos, segundo Bernard, que acontecem no SARES, em sua sede, localizada na Constantino Nery, todos os outros encontros acontecem nas comunidades, em assessorias que constam de acompanhamento, observação, escuta, orientação e retorno para reflexão conjunta, em sua metodologia sociopráxica junto com o povo.

“Este seminário é um encontro para reflexão conjunta, momento em que são construídas as agendas de ação conjunta dos departamentos de Ação, Reflexão e Educação do SARES, para construção das macro-políticas da região pan-amazônica”. O Departamento de Ação tem atuado em Rio Preto da Eva, Vila Amazonas, Pontalzinho do Tarumã e mais quinze áreas de risco nas zonas Leste e Norte.

O Observatório Pan-Amazônico é produto do programa de Reflexão, foi recentemente inaugurado e tem o objetivo de facilitar um olhar panorâmico ético e social para a Amazônia, para que seu povo fortaleça o conceito de florestania – floresta mais cidadania - do povo harmônico e democraticamente organizado, em grupos, tendo como objetivos, primeiro, que todos os atores e ações que sejam feitos no Amazonas, priorizem a Amazônia e seu povo; segundo, que se recupere e desenvolva a vida humana na Amazônia, e se valorize a relação sadia com a floresta.

O Departamento de Educação tem como meta estabelecer uma ponte entre o mundo intelectual e o mundo da sabedoria popular, o que resulta em três cursos na área de formação: o curso de Formação para Ação Social (FAS), o curso de Formação para Intervenção Política (FIP-PUC/PE) e o curso de Formação para Ação Social no Interior (FAS-IN), que atualmente abrange os municípios de Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Manacapuru, Novo Ayrão, Tonantins e São Paulo de Olivença.

Palestraram no evento, a assistente social do Hospital Getúlio Vargas, Tuli Gomes, e o especialista em saúde pública, Mena Barreto.

Saúde da Família: modelo mutilado no Amazonas

Em seu discurso, o médico sanitarista, Mena Barreto, chamou a atenção para a Portaria nº 154 de janeiro de 2008, que cria o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Segundo ele, o programa Saúde da Família é a porta de entrada do sistema que reorienta o modelo de atenção à saúde do SUS. “No Amazonas, a implementação do modelo foi fragilizada, pela extrema redução do que foi chamado Casinha Saúde da Família”.

Para Mena Barreto, o sistema NASF é completo e propõe a implementação de um amplo quadro de atendimento e benefícios à saúde, que foi mutilado no modelo adotado pelo governo do estado. “O NASF, em seus dois modelos, é composto por, no mínimo, cinco profissões de nível superior, entre elas, psicólogo, assistente social, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, profissional de educação física, nutricionista, terapeuta ocupacional, ginecologista, homeopata, acupunturista, pediatra e psiquiatra, sendo estes vinculados a um número de 08 a 20 equipes do Saúde da Família (NASF1); e,  no mínimo, por três profissionais, vinculados a pelo menos 03 equipes do programa (NASF2)”, esclarece.

Barreto também citou a Lei 11.445 de 05 de janeiro de 2007, a qual dispõe sobre a obrigatoriedade da sociedade ter um Conselho de Saneamento Básico que, até o atual momento, não foi criado em Manaus. “Temos uma situação alarmante na Zona Leste da cidade, por exemplo, onde a distribuição de água é questionável e a população tem que cobrar uma licitação nacional, pois a Água do Amazonas já gastou milhões de reais para fazer a captação e não resolveu o problema, que é grave, pois nesta área - a mais baixa da cidade - há corrente de fluxo de esgoto e risco de contaminação da água”, informou.

Você sabia?

Que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), deste ano, destinará maior verba que o ano passado à compra de remédios? Durante o evento, o médico sanitarista expôs reportagem de 2006, do jornal A Crítica, sobre uma dobradinha dos secretários de saúde, estadual e municipal, à época, Francisco Deodato e Wilson Alecrim. Ambos trocavam acusações sobre a compra de remédios vencidos e futilidades do tipo botox. O alerta é para a participação social na definição desses orçamentos, já que o módulo saúde da família, no estado, não contempla, até o momento, a criação dos NASF.

ASCOM/ SARES
Joranlista responsável: Juliana Belota
DRT: AM/010
Fone: 9201 3297/ 32397380

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